A mais recente coluna de Silvio Cioffi, editor do caderno Turismo da Folha de S. Paulo, assegura que o Brasil é “um fiasco internacional no quesito turistas estrangeiros.” A combinação da falta de turismo internacional e os enormes gastos dos brasileiros no exterior exemplifica, no seu olhar, a falta de uma infraestrutura— turística e civil— adequada para um país que seria a quinta maior potência econômica do mundo.
Rejeitando à “propaganda ufanista” dos órgãos federais encarregados do turismo, Cioffi mostra como o Brasil— que supostamente recebe 5 milhões de visitantes estrangeiros por ano— realmente recebe muito menos disso. Tendo em conta que aquela cifra inclui visitantes de fronteira, os estrangeiros que passam mais de um dia no país são poucos em relação aos Estados Unidos ou à França. Mesmo que os estrangeiros tivessem gastado US$ 530 milhões no Brasil neste mês de outubro, os brasileiros gastaram mais de US$1,72 bilhões no exterior. Cioffi acha— coisa com que eu desconcordo— que a subida do dólar somente vai piorar aquela situação.
Mencionando os custos da vida em São Paulo— dos restaurantes, dos hotéis, do estacionamento— e a relativa barateza das outras grandes cidades do mundo, Cioffi lamenta a falta de desenvolvimento do seu próprio país e tenta justificar a grande quantidade de brasileiros que visitam o exterior. Mesmo que ele não ofereça nenhuma solução, seu argumento é robusto. Para o progresso, porém, não é necessário exaltar o ufanismo. Está faltando um certo orgulho de ser brasileiro a Cioffi.